sábado, 12 de agosto de 2017

OPINIÃO - ANO XXIV - Nº 254 - AGOSTO 2017


Ian Stevenson – 1918/2007
Com ele, a reencarnação ganhou dimensão acadêmica
O ano de 2017 assinala o 10º aniversário da desencarnação de um dos maiores pesquisadores do fenômeno da reencarnação: o psiquiatra norte-americano Ian Stevenson.

Pesquisador de vanguarda
Canadense de nascimento, o médico psiquiatra Ian Stevenson exerceu, desde o ano de 1957 até pouco antes de sua morte, em 2007, a chefia do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos.

Estudioso da parapsicologia, venceu, em 1958, uma competição de ensaios sobre fenômenos paranormais e vida após a morte, promovida pela American Society for Psychical Research. A partir de então, aprofundou estudos sobre a reencarnação, tornando-se fundador da moderna pesquisa acerca do tema.

Stevenson focou suas pesquisas particularmente no recolhimento e na análise meticulosa de casos envolvendo crianças que pareciam recordar vidas passadas, sem se utilizar, para tanto, da hipnose. A seriedade e a profundidade de seu trabalho chamou a atenção do milionário Chester Carison, inventor da fotocopiadora Xerox. Foi sob o patrocínio dele e com metas estabelecidas pela Universidade de Virginia que o psiquiatra excursionou à Índia e ao Sri Lanka, na década de 60, para realizar pesquisas com várias crianças que demonstravam nítidas lembranças de vidas passadas.

Vinte casos sugestivos de reencarnação
A meticulosa pesquisa de campo de Ian Stevenson na Índia e Sri Lanka, com centenas de entrevistas, visitas a locais apontados pelas crianças como cenários de encarnações passadas, marcas de nascença, etc., terminou por fazê-lo empreender outras viagens pelo mundo com idênticos propósitos.

De seu trabalho resultaram muitos estudos publicados pela Universidade da Virgínia e também pela Parapsychological Fundation. Várias obras foram publicadas. Uma especialmente consagraria Stevenson, o livro “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, disponível em português. Nele são minuciosamente detalhadas duas dezenas de casos que sugerem a reencarnação, em diferentes países. Dois dos casos ali descritos tiveram como cenário o Brasil, um no Rio Grande do Sul e outro em São Paulo.Durante toda sua vida acadêmica, Stevenson continuou contando com o patrocínio de Chester Carison que, ao morrer, em 1968, legou à Universidade de Virgínia um milhão de dólares para que as pesquisas continuassem, e mais um milhão para o próprio Stevenson.

As pesquisas, efetivamente, tiveram continuidade na Universidade da Virgínia. Presentemente, estão a cargo da Divisão de Estudos da Personalidade do Departamento de Psiquiatria da instituição. Seu diretor, o psicólogo Jim Tucker tem se destacado como uma das maiores personalidades na pesquisa com crianças que afirmam ter lembranças de vidas passadas. Em entrevista à revista brasileira Superinteressante, em outubro de 2016, Tucker informou que, nos arquivos da Universidade, já estão catalogados mais de 2.500 casos sugerindo a reencarnação.




Sugestões de leitura
Na mesma época de Ian Stevenson, outro pesquisador, também psiquiatra, na Europa, Karl E. Muller, suíço, publicava, em Londres, uma importante obra com o título de “Reencarnação baseada em fatos”. Em sua introdução, Muller destacava a diferença entre evidências diretas e indiretas, nas ciências psíquicas. Para ele, as crianças prodígio seriam um ótimo exemplo de evidência indireta da reencarnação. Já, “o fato de uma pessoa recordar-se de uma vida anterior constitui a evidência direta, pois esse é o significado da palavra reencarnação, isto é, o mesmo EU, vivendo mais de uma vez na Terra”.

Stevenson, na mesma linha teórica de Muller, explorou com perspicácia os fascinantes casos de memórias vivas de crianças que indicavam, com dados concretos (nomes, lugares, circunstâncias, etc) os detalhes de suas vidas anteriores. Mesmo assim, teve a cautela de adjetivar esses fatos como “sugestivos” e não comprobatórios da reencarnação.

Aos espíritas que incorporaram a reencarnação como uma “crença” à qual, frequentemente, ligam, de forma central, a ideia da culpa, é salutar um esforço no sentido de deixar um pouco de lado os romances e as ficções que estimulam a visão da reencarnação punitiva, para visitarem a literatura de cunho científico e filosófico sobre o assunto. Os livros de Stevenson e de Muller, aqui referidos, assim como “Reencarnação no Brasil”, de Hernani Guimarães Andrade, ou “Vida Pretérita e Futura”, do Dr. H. N. Banerjee,  ou, ainda, “Vida Antes da Vida”, de Jim Tucker são obras que podem contribuir para uma visão mais ampla da reencarnação, apresentada como fenômeno inerente à vida em todas as suas dimensões, extrapolando o campo restrito do crime/castigo.

O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”, disponível nas instituições filiadas à CEPA, e, portanto, também no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, busca fazer uma síntese desse esforço laico, científico e filosófico, propondo análises mais humanistas e racionais da reencarnação e ligando-a a amplos aspectos da vida que se estendem para além da culpa. (A Redação)





O espiritismo e a reencarnação
A grande contribuição do espiritismo está na sua filosofia, ao propugnar a existência do espírito, a imortalidade da alma, a evolução infinita e a educação para a “morte”.
Ademar Arthur Chioro dos Reis, em “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”
           
Esta edição abre rememorando Ian Stevenson, no ano que assinala o décimo aniversário da morte do grande pesquisador da Universidade da Virgínia sobre o fenômeno da reencarnação.
Já, em sua coluna “Opinião em Tópicos”, o editor deste jornal se reporta a um popularíssimo cronista gaúcho, recém desencarnado e reproduz trechos de uma coluna do mesmo na qual Paulo Sant’Ana argumenta em favor da imprescindibilidade da reencarnação como instrumento da justiça e do progresso.

Nem Stevenson e os outros nomes americanos e europeus referidos na reportagem de capa, nem Sant’Ana, eram espíritas. O espiritismo é uma filosofia que transcende à simples aceitação ou à própria comprovação científico-experimental da reencarnação. Ele propõe uma visão de universo cuja centralidade e essencialidade residem no ESPÍRITO, definido na questão 23 de O Livro dos Espíritos, como “o princípio inteligente do Universo”. Deste sintético conceito, entretanto, defluem consequências que abrem caminho a uma verdadeira revolução do conhecimento, da ética global e da transformação moral do indivíduo. Sugere-se um novo paradigma a moldar a ciência e o agir humanos, mediante padrões capazes de produzir progresso e felicidade.

O grande filósofo espírita José Herculano Pires afirmava ser o espiritismo “um arquétipo carregado de futuro”. Nesse arquétipo, a reencarnação assume central significação. Parafraseando Paulo que dizia, acerca do cristianismo, “se Cristo não houvesse ressuscitado, vã seria nossa fé”, os espíritas poderíamos afirmar: “Se não incluísse a reencarnação, seria vã e incompleta nossa filosofia”.

A reencarnação confere à visão espiritualista o dinamismo transformador que dá sentido à vida. Liga-se, por isso mesmo, às ideias generosas de liberdade e autonomia do espírito. Liberdade que abre ao ser a responsabilidade plena sobre seus atos e respectivas consequências. Autonomia que o liberta da pressão vinda de fora para dentro, investindo o indivíduo em verdadeiro condutor de seu progresso pelas sendas do conhecimento e da ética.

É por isso que, na visão espírita, nem sempre compartilhada com outros olhares que se possam ter sobre ela, a reencarnação não se aparta da ética evolucionista. Não se compatibiliza com qualquer objetivo que não seja o da permanente transformação cognoscitiva e moral do espírito imortal.

Essa é, enfim, a melhor contribuição que pode o espiritismo trazer à cultura humana, seja qual for o destino que a História lhe reserve como movimento organizado de ideias.


           


Asociación Espiritista Constancia
Permitam-me expressar meus agradecimentos pelo exemplar que é mensalmente enviado à nossa instituição da publicação CCEPA OPINIÃO, sempre interessante.
Fazemos votos que o editor desse jornal, nosso amigo Milton Medran Moreira, continue, como até agora, com plena dedicação, inteligência e firmeza no trabalho espírita.
Aproveito para enviar meu forte abraço a todos os membros do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
Nilda Brunetti – Presidente da Asociación Espíritista Constancia – Buenos Aires/AR.

Longa mas não interminável
A respeito do editorial deste jornal do mês de julho – Longa mas não interminável -, quero registrar que a corrupção não é patrimônio do Brasil somente. A Argentina e os demais países, inclusive os Estados Unidos, passam por esse processo, infelizmente. O ser humano ainda não evoluiu espiritualmente, como muito bem salientou o editorial do Medran, com o qual tomei contato pelo Facebook. Será que teremos de superar essa experiência para que possamos evoluir como espíritos? Um forte abraço.
Omar Hamud – Buenos Aires/AR.
           






Paulo Sant’Ana reencarnacionista
Não há gaúcho que não o tenha conhecido. Paulo Sant’Ana, que desencarnou dia 19 de julho, foi um dos mais brilhantes cronistas do jornalismo do Rio Grande do Sul. Gremista fanático, boêmio inveterado, cantor nas horas vagas, Sant’Ana ocupou por cerca de 40 anos uma página de Zero Hora, as câmeras e os microfones da mais importante rede de comunicação do estado. Algumas crônicas suas se tornaram famosas, como aquela intitulada “Amigos” e que já vi, equivocadamente, atribuída a Vinicius de Moraes, na Internet.  Nela o cronista dizia que “a amizade é um sentimento mais nobre do que o amor” porque “permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme que não admite rivalidade”. E complementava: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”.
O que talvez nem todos saibam é que Paulo Sant’Ana era reencarnacionista. Expressou em algumas entrevistas e crônicas essa sua convicção
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 “Isto não vai ficar assim”
Com o título acima, em coluna publicada em 1º.11.2008, surpreendido com a morte prematura de um amigo, Sant’Ana confessou-se convicto da reencarnação. Escreveu ali: “Eu só posso admitir a ideia de um Deus bom, de um Deus justo, de um Deus misericordioso e acima de tudo de suprema lucidez e sabedoria, se concluir que não há uma vida única, que as pessoas que se tornam mártires, que vivem em extremo sofrimento, ou sobre as quais se abateram as injustiças e os tormentos, terão em outra vida recompensas que restituirão à sua vida um plano de justiça e lógica de proporcionalidade”.
Mais adiante, o comunicador mostrava toda sua inconformidade com a tese da vida única, dizendo: “Não pode Deus ter criado ao mesmo tempo uma besta e um filósofo, um rico e um miserável, um cruel e um bondoso, um feio e um bonito, um dotado de raras virtudes e outro pleno de todos os defeitos”.

Justiça e evolução
Se nos trechos acima Sant’Ana usava argumentos coincidentes com a tese de que a reencarnação tem como base a “justiça divina”, como diz a questão 171 de O Livro dos Espíritos - obra que, possivelmente jamais tenha lido -, mais adiante, na mesma crônica, ele conecta a reencarnação com seu principal objetivo: a evolução: “Uma só passagem pela vida, pela efemeridade em que ela consiste, pela incompletude das experiências que se desenrolam para um só indivíduo em particular, pela exiguidade de seu campo de desenvolvimento, será insuficiente para torná-lo apto a ser considerado um ser que tenha absorvido todo o húmus da existência e ter encerrado seu ciclo”.

Valorização da vida e fé no futuro
E dando um fecho à reflexão, o cronista fez uma declaração de fé no futuro: “Não me resta dúvida nenhuma de que aqui na Terra estou vivendo apenas uma etapa da minha evolução e que outras missões me serão confiadas em vidas futuras, até que minha formação como espírito ocorra para que eu ganhe talvez para a eternidade um lugar na planície de Deus, quando então me reencontrarei com todos aqueles com quem compartilhei a ocasião maravilhosa da vida”.
Ao me deparar com reflexões dessa natureza, feitas por pessoas que não têm qualquer formação espírita, reforço a convicção de que a filosofia adotada pelo espiritismo é de meridiana clareza, singeleza e racionalidade. É intuída por toda gente, e só não flui de forma mais natural por conta de dois grandes inimigos que, em conluio e preconceituosamente, lhe obstaculizam a trajetória: o materialismo e o dogmatismo religioso.
                                              
Para ler a crônica “Isto não vai ficar assim”, acesse:





O CCEPA hoje
Alguém que seja frequentador habitual de centro espírita, ao visitar o CCEPA poderá ficar intrigado com o “jeito da Casa”. Não encontrará nenhum indício característico de “pronto socorro” ou de “casa de oração”.   Atividade socorrista somente em situações específicas. Logo perceberá que nele há uma preocupação centrada no conhecimento. Ninguém é considerado “assistido” ou “paciente” nas atividades ali desenvolvidas. Diante de determinados quadros, as pessoas são orientadas a procurar ajuda médica ou auxílio espiritual em instituições espíritas especializadas. Na área social, um grupo constituído por senhoras, reúne-se, semanalmente, com o objetivo de recuperar peças de vestuário e confeccionar cobertores e agasalhos que são repassados a instituições de atendimento a pessoas carentes.

Não há nenhuma placa dizendo “O silêncio é uma prece” que cai muito bem numa igreja. No CCEPA, o “papo” é livre e estimulado. Ninguém é chamado de “irmão”, mas a cordialidade é marca dos relacionamentos. O “hall” de entrada é amplo e aconchegante, num convite à conversa descontraída, informal e fraterna. Nada de compunção ou pieguismo. Todo o ambiente da Casa é claro, limpo, alegre, simples e de bom gosto.
O visitante poderá ficar desconcertado – às vezes, indignado – porque não é feita prece para abrir ou encerrar reuniões públicas. De vez em quando, a direção dos trabalhos esclarece que o CCEPA não é “contra a prece”. Ao contrário, por valorizá-la, não aceita sua ritualização como ato maquinal, obrigatório e repetitivo.
Os integrantes do CCEPA são, exclusivamente, adultos. Há décadas que a Casa deixou de realizar atividades com crianças e jovens. Estes últimos integram naturalmente os grupos de estudo.

Em consonância com sua Carta de Princípios, o CCEPA desenvolve, exclusivamente, atividades de estudo da Filosofia Espírita, através de cursos e grupos de estudo e discussão. Anualmente, promove um Curso Básico de Espiritismo ou de Mediunidade. Os participantes que concluem esses cursos são convidados a constituir novos grupos de estudo que, no devido tempo, passam a realizar, também, sessões de educação da mediunidade.

Outra atividade que centraliza os esforços da Instituição é a publicação do jornal CCEPA OPINIÃO que, apesar de deficitário no aspecto financeiro, desempenha relevante papel na difusão do espiritismo laico, livre-pensador, progressista, humanista e plural, em consonância com a programática da CEPA-Associação Espírita Internacional à qual o CCEPA é filiado.

Aliás, há uma perfeita integração entre o CCEPA e a CEPA, tanto que alguns dos seus diretores são, também, membros ou assessores do Conselho Executivo daquela Associação Internacional.

Com esta matéria, encerramos a coluna “Memória CCEPA” parte da celebração dos 80 anos de fundação do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
OPINIÃO DE....






Jaci Regis - Psicólogo e escritor espírita (1932/2010)

“Entre as muitas deturpações que o espiritismo tem sofrido, incluímos a apropriação de desvio do significado dos termos ‘espiritismo’ e ‘espírita’. Correntes esotéricas e de base dos cultos africanos se autodenominam espíritas e as ousadias de dirigentes de centros que se intitulam espíritas, criando “doutrinas próprias” tornou o ambiente confuso, de modo que a palavra ‘espírita’ não significa necessariamente o que Allan Kardec criou. Por isso, acreditamos que a palavra ‘kardecista’ oferece uma apropriada denominação ao esforço que temos feito de reescrever o pensamento de Allan Kardec, adequando-o ao processo evolutivo das ideias e da humanidade. Daí crermos que ‘kardecista’ refere-se mais originariamente ao trabalho de Allan Kardec, delimitando nosso espaço e definindo nossos propósitos. Certamente jamais a palavra ‘espírita’ será substituída por ter sido criada por Kardec, mas ‘kardecista’ está diretamente ligada ao criador da doutrina”.
 (Entrevista ao blog “Observador Espírita” – 2009)






Claudiomar Lopes Barcellos
Aos 82 anos de idade, desencarnou em Pelotas/RS, no último dia 26 de julho, Claudiomar Lopes Barcellos, advogado e bancário aposentado.
Espírita, desde criança, Claudiomar  foi muito atuante no movimento espírita pelotense, integrando o grupo fundador da Sociedade Espírita Casa da Prece cujo primeiro estatuto, em 1976, foi por ele elaborado.

Além de haver presidido a Casa da Prece, onde exerceu diversos outros cargos, foi também presidente da Liga Espírita Pelotense.
Segundo seu amigo pessoal, Homero Ward da Rosa, dirigente da Casa da Prece e atual presidente da Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA – CEPABrasil - , Claudiomar “ identificava-se com as ideias laicas, humanistas e livre-pensadoras do espiritismo, que são as diretrizes filosóficas da Casa da Prece, instituição filiada à CEPA, desde 30.04.1999”. Registrou ainda Homero, a respeito de Claudiomar: “Admirado por sua dedicação ao trabalho, estudo e pesquisa em várias áreas do conhecimento, chegou a organizar grupos de estudo de espiritismo em sua residência com vistas a motivar pessoas que quisessem conhecer mais sobre a doutrina”.

Ao lado das atividades espíritas, segundo Homero, Claudiomar empreendeu intensa atividade maçônica, com reconhecimento estadual, nacional e internacional. Em 1981 fundou o Capítulo n. 3 da Ordem DeMolay no Brasil e o primeiro no Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente funcionam mais de 60 Capítulos dessa Ordem em nosso Estado e mais de 650 unidades no Brasil. Trata-se de uma instituição paramaçônica, que reúne jovens do sexo masculino com idade de 12 a 21 anos, propondo o estudo e a prática de valores filosóficos humanitários, laicos, livre-pensadores e democráticos. Há uma espécie de versão feminina sob a denominação de Filhas de Jó, e acolhe jovens de 10 a 20 anos, com objetivos similares aos dos rapazes.

As homenagens de despedida de Claudiomar, antes do sepultamento de seu corpo, foram prestadas no templo da Loja Maçônica Fraternidade n.3, que ele integrava.
Na expressão de Homero Ward da Rosa, Claudiomar “foi um trabalhador dinâmico e cidadão dedicado, sempre otimista e confiante na transformação positiva da sociedade e do mundo a partir da educação da juventude. Somos gratos pelos seus relevantes trabalhos e o aprendizado que tivemos desfrutando de sua amizade”.  Ele foi casado com Selma Dioneida de Souza Barcellos, falecida, e deixou dois filhos: Álvaro José e Iria.
Na foto, Claudiomar (D) aparece com Milton Medran Moreira, quando este, exercendo a presidência da CEPA, visitou e proferiu palestra na Sociedade Espírita Casa da Prece.

Nova Campanha: “Espiritismo Começa em Casa”
No espaço do Facebook da Associação de Divulgadores Espíritas de São Paulo, o comunicador Ivan Franzolim lançou campanha sugerindo a mudança da prática do “Evangelho no Lar” para o estudo completo das obras de Kardec, segundo a ordem cronológica de publicação.
“Nada contra o ESE (1864)”, esclarece Franzolim. Apenas sugere que ele deve ser estudado após o estudo dos livros anteriores para se garantir um entendimento mais completo, assim: “O Livro dos Espíritos” (1857), “O que é o Espiritismo” (1859), “O Livro dos Médiuns” (1861), “O Espiritismo na sua Expressão mais Simples” (1862).

Argentinos convidam: Tem Encontro em Rafaela
Dia 16 de setembro próximo acontece o “Quarto Encontro da CEPA na Argentina”. O evento será sediado pela Sociedad Espiritismo Verdadero,  de Rafaela, Santa Fé.
O tema – Diversidade, Preconceito, Ansiedade na Era do Imediatismo; a Hiperconectividade com as Redes Sociais e Meios de Comunicação – será desenvolvido e discutido por membros de instituições filiadas à CEPA e também de entidades ligadas à UEA – União Espírita Argentina. Participação aberta ao público interessado.
Os trabalhos se estenderão por todo o dia daquele sábado, das 9 às 18h. Valor da inscrição, incluindo almoço e cafés: 250 pesos argentinos. Do Brasil, já confirmaram presença a presidente da CEPA, Jacira Jacinto da Silva e seu diretor administrativo Mauro Mesquita Spínola. Interessados deverão confirmar participação até o dia 15 de setembro.
À noite, encerrando o evento, Jon Aizpúrua proferirá conferência pública, no auditório Professor Joaquín V. Gonzales, abordando Novos Paradigmas -Espiritismo e Espiritualidade”.


Associação Jurídico Espírita da Bahia
No TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado, de Salvador/BA, aconteceu, em 15/7,  reunião para a fundação da Associação Jurídico Espírita da Bahia. Foi convocada, então, Assembleia Geral da fundação da entidade, para o dia 5 de agosto.

O TELMA, entidade filiada à CEPA, divulgou convite a toda classe jurídica baiana para se fazer presente em sua sede, naquela assembleia, viabilizando, assim, a criação e o funcionamento de uma instituição destinada a tratar das questões de direito e de justiça, numa perspectiva genuinamente espírita.







Nelson Xavier – 1941/2017:
“Chico me deu serenidade”
Noticiando a morte do ator Nelson Xavier, que protagonizou os filmes “Chico Xavier” (2010) e “As Mães de Chico Xavier” (2011), em sua edição digital do dia 10.05.2017, a revista VEJA destacou que o personagem vivido pelo artista “mudou sua forma de ver o mundo”.
Nelson Xavier faleceu naquela data, em Uberaba, em decorrência de um câncer de próstata. Segundo a publicação, “a médica Clarissa Aires, que acompanhou o ator nos últimos quatro meses, contou a VEJA que ele queria se ‘despedir do planeta’ em Uberaba, terra de Chico Xavier”. Segundo ela, a vontade dele era de ser cremado com um terno que foi de Chico Xavier. Nos últimos meses, ele voltou a andar e morreu sem dor, não estava sedado ou tomando analgésicos”.

De ateu a admirador do espiritismo
Quando do lançamento do filme “Chico Xavier”, baseado em livro biográfico sobre a vida do médium espírita mineiro escrita por Marcel Souto Maior, Nelson Xavier deu inúmeras entrevistas aos mais importantes jornais e revistas do Brasil, relatando a transformação sofrida em sua vida, a partir das filmagens da versão cinematográfica.    Ganhou grande repercussão entrevista então concedida a ISTOÉ GENTE, onde o ator fez a seguinte declaração: “Quando recebi o livro do Marcel, há seis anos, eu me envolvi profundamente e me comovi muito com a infância dele (Chico). Fiquei deslumbrado com um ser que eu tinha ignorado a vida toda”.

Nelson declarara-se durante toda a vida ateu, embora relatasse, naquela entrevista: “Mas o espiritismo não era novidade para mim. Desde criança, minha mãe chamava espíritos. Assisti manifestações mediúnicas. A proximidade com o Chico apenas trouxe isso presente na minha vida. Eu sempre desprezei essa coisa de ‘depois da morte’. Ele me corrigiu, me fez ver que é preciso ter uma vida espiritualizada, acreditar mais no amor”.

“Fiquei melhor como pessoa”
Em Fortaleza, Ceará, quando lá esteve em excursão artística, Nelson Xavier deu longa entrevista ao jornal O POVO, em sua edição de 4.11.2013. Na oportunidade, já se tratava do câncer. Perguntado pelo repórter como se sentira ao descobrir a doença, o ator fez a seguinte revelação: “Primeiro você entende o que é abismo. Porque você cai nele. Mas, depois, o fato de encontrar Chico, você passa a entender que isso pode melhorar você. E acho que melhorei por causa disso. Perdi muito de uma incrível arrogância. Só aí tive noção da dimensão da minha arrogância intelectual e psicológica. Então comecei a encarar o fim, porque a noção de finitude te humaniza. Acho que fiquei melhor como pessoa por causa do Chico, mas também por causa do câncer. Descobrir o Chico me deu serenidade”.

“Espiritismo com Kardec” – um Grupo que cresce
Fruto de iniciativa de companheiros espíritas livres-pensadores familiarizados com o Facebook, surgiu o grupo de debates “Espiritismo com Kardec”. Contando, hoje, com cerca de 1500 participantes, aproximadamente outros 600 estão com seus pedidos de participação pendentes. Segundo o moderador do grupo, Marcelo Henrique Pereira, “o interessado, ao solicitar inscrição, recebe três perguntas básicas, para que seja verificado o real interesse do mesmo e evitar que eventuais adeptos de certas religiões ou seitas adentrem com o intuito apenas de tumultuar o ambiente”.

Apesar da triagem, Marcelo afirma que “o perfil dos partícipes é bastante variado, havendo pessoas que militam em instituições espíritas ou de federativas e centros adesos, assim como outras que, mesmo sendo espíritas se encontram afastadas de instituições tradicionais”. Esclarece ainda Marcelo que “o grupo não se destina à circulação de mensagens de caráter moral, evangélicas, de autoajuda ou similares, e, sim, à discussão das obras de Kardec e de todos os autores encarnados ou desencarnados”.

Para participar basta acessar o link abaixo, clicando no botão “Participar”. Automaticamente, serão enviadas as perguntas para resposta:

XV SBPE espera sua inscrição


O 15° SBPE – Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, um dos mais tradicionais eventos reunindo estudiosos do espiritismo, acontece de 2 a 4 de novembro próximo em Santos/SP.
Promovido pelo Instituto Cultural Kardecista de Santos, o SBPE caracteriza-se pela inteira liberdade conferida a seus participantes de inscreverem e apresentarem suas teses ligadas ao espiritismo.
As inscrições para apresentação de trabalhos já estão encerradas, desde julho último. Mas, ainda há tempo de se inscrever como participante, o que lhe dará direito a questionar, nos espaços destinados aos debates, os autores dos trabalhos.
Para saber mais sobre a inscrição e participação, acesse: http://icksantos.blogspot.com.br/2017/02/15-sbpe-inscreva-se-ja.html
           

             
Física Quântica e espiritualidade
Antônio Cezar L. Fonseca - Procurador de Justiça. Estudioso do Espiritismo, associado ecolaborador do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.


Não é de hoje a polêmica sobre a ligação entre Física Quântica e Espiritualidade, espaço no qual se sustenta a afirmativa acerca da influência do pensamento humano como ‘poder’ para modificar a realidade ou mesmo a prova da existência do mundo espiritual e do Espírito.

Afinal, o que é a Física Quântica? Do que trata a Física Quântica? A Física Quântica comprova a existência do Espírito? Por quê a Física Quântica é seguidamente invocada pelos espíritas?

Para os cientistas, a matéria e a energia, ao lado do tempo e do espaço surgiram há cerca de 13,5 bilhões de anos naquilo que é conhecido como o Big Bang, sendo a Física uma ciência que estuda todas essas características do universo (Yuval Noah Harari, Sapiens, 14ª ed., LPM, p. 11).

A Física, ao lado da Química, da Biologia, da Psicologia e da Sociologia, foi apontada na Doutrina Espírita como ‘ciência fundamental’ ao Espiritismo (Emmanuel. O Consolador, FEB, p. 17).

A Física Quântica surgiu nos primeiros anos do século XX, também polemizando com a Física clássica, sendo o físico Max Planck (1858-1947) um dos pioneiros a desenvolver seus princípios básicos contrariando grande parte das leis fundamentais da física clássica. A Física quântica é também conhecida como ‘mecânica quântica’, ou seja, aquela que investiga o comportamento dos átomos e das partículas subatômicas (Torchi, p. 496).
Quântico é uma referência ao evento físico da quantização, que consiste na alteração instantânea dos elétrons que contêm um nível mínimo de energia para um superior, caso sejam aquecidos (www.significados.com.br).

Os princípios da Física Quântica são aplicados em vários setores do conhecimento humano, sendo que a principal ligação entre a Física Quântica e os conceitos espirituais está na condição de causalidade e incerteza, que diz ser possível a existência de duas situações diferentes e simultâneas para determinado corpo subatômico (www.significados.com.br).

No Brasil, s.m.j., quem melhor didaticamente discorre sobre a relação entre Física Quântica e Espiritualidade é o Prof. Moacir Costa de Araújo Lima, em várias obras, especialmente, na conhecida trilogia ‘Quântica’ (Espiritualidade e Saúde, O caminho da Felicidade e Espiritualidade e Sucesso, ed. AGE, Porto Alegre).
Moacir sustenta que a Física Quântica não tem por objetivo comprovar a existência do Espírito, mas refere que suas ideias apresentam uma extraordinária abertura para a espiritualidade (Livro: Quântica, O caminho da felicidade, AGE, p. 102).
Isso porque, segundo sustenta, a Física Quântica veio dizer-nos que somos emissores e receptores de energia: continuamente trocamos energia, trocamos informações, trocamos experiências com o Universo e com outros (Quântica. Espiritualidade e Saúde, AGE, p. 11). 
E o que é Energia? Energia não se define, diz Moacir; energia não se cria nem se destrói, o que equivale a dizer que o total energético existente hoje no Universo é o mesmo desde o instante de sua criação (Espiritualidade e saúde, p. 9).
No século passado sucedeu uma revolução nas pesquisas sobre a matéria, sabendo-se, agora, que há influência da consciência sobre a matéria e o próprio pensamento pode se tornar energia.

Como diz Araújo Lima, nós somos energia e hodiernamente somos descritos como energia inteligente, isto é, consciências (Espiritualidade e Saúde, p. 9).
A Física Quântica trouxe uma descrição completamente nova do Universo (Espiritualidade e Sucesso, p. 13) apresentando uma extraordinária abertura para a espiritualidade (O Caminho da Felicidade, p. 102), pois a quântica fala em consciência, uma consciência que vai além dos limites da máquina física e a dirige, sinalizando para a existência do Espírito (O caminho da felicidade, p. 102).

Embora todas as descobertas nesse campo, não podemos ter a Física Quântica como se fosse ‘o caminho’ para a descoberta de Deus, do Espírito ou como sendo a solução de todos os enigmas do Universo.

Christiano Torchi, aliás, afirma que: (...) apesar dos inúmeros avanços que a teoria quântica proporcionou ao entendimento da estrutura e dinâmica da matéria e dos acontecimentos vaticinados ou preditos pelos Espíritos superiores, devemos ainda aguardar maiores desenvolvimentos na área científica, antes de afirmarmos, objetivamente, que a Física esteja demonstrando os conceitos espíritas (Espiritismo passo a passo com Kardec, p. 496).

André Luiz, psicografado por Waldo Vieira, no prefácio do livro Mecanismos da Mediunidade, em 1959, já reconhecia o caráter passageiro dos apontamentos científicos humanos, concluindo que a experimentação constante induz os cientistas de um século a considerar, muitas vezes, como superado o trabalho dos cientistas que o precederam (ed. FEB 26ª ed. 2012, p. 21).

Dessa forma, o que se pode afirmar, por enquanto, é que a certeza que buscamos e que nos dá a sensação de domínio foi abalada pela Física Quântica, pois é uma Física de possibilidades (Espiritualidade e sucesso, p. 14).

Como diz Moacir Araujo, ainda, o estudo de como nos construímos, de nossas expectativas a respeito da vida e da influência das emoções encontra abrigo na Física Quântica e a troca de certezas por possibilidades pode contemplar efetividade de nossa intervenção, ou seja, de podermos escolher, de podermos planejar, tornando-nos os construtores de nosso próprio destino (Livro: Amor a Arte de viver, p. 127).








sábado, 15 de julho de 2017

OPINIÃO - ANO XXIII - Nº 253 - JULHO 2017

Léon Denis – 1846/1927
Tributo ao “Apóstolo
do Espiritismo”

O último mês de abril assinalou o 90º aniversário da desencarnação de Léon Denis, um dos mais fecundos pensadores espíritas, conferencista e escritor que legou ao mundo sólida obra de apoio e consolidação do espiritismo pós-Kardec.

O histórico encontro Denis/Kardec
“No dia seguinte, voltei a Spirito-Villa, a fim de visitar o Mestre; encontrei-o sobre um banco, ao pé de uma grande cerejeira, apanhando os frutos que deitava à madame Allan Kardec. Uma cena bucólica que o distraia de suas graves preocupações”.  O relato de Léon Denis, registrado por seu biógrafo Gaston Luce (“Léon Denis, o Apóstolo do Espiritismo. Sua Vida, sua Obra”) assinala o primeiro encontro de Denis com Allan Kardec, um dia após memorável conferência por este pronunciada na cidade de Tours, em 1867.
Denis tinha, então, 21 anos. Kardec estava no fim de sua trajetória terrena. Desencarnaria dois anos após. Assim mesmo, o jovem escritor se entrevistaria mais duas vezes com o fundador do espiritismo: uma, na residência do Mestre, em Paris, e outra, em 1868, em Bonneval, cidade em que Allan Kardec fora cumprir agenda de conferências.

Sintonia com Kardec
Autor da célebre frase “O espiritismo será o que dele fizerem os homens”, Léon Denis soube, como poucos, preservar a proposta original haurida dos breves contatos pessoais que teve com Allan Kardec e, especialmente, do estudo e da leitura de suas obras. Filho de família católica e pobre, relata que lia muito, desde pequeno: seduziam-no mais as vitrines das livrarias, com obras que raramente podia comprar, do que as das confeitarias, cheias de doces. Foi assim que, aos 18 anos, adquiriu O Livro dos Espíritos e avidamente o leu. Na época, desencantado com a fé católica e mergulhado no ceticismo diante dos “mistérios da vida”, encontrou na obra de Kardec “uma solução clara, completa, lógica do problema universal”. Curiosamente, segundo seu biógrafo Luce, mantinha o livro em esconderijo, para que sua mãe, vigilante de suas leituras, não o descobrisse. Soube, no entanto, depois, que ela o achara e, como o filho, também o lia, tendo se convencido “da beleza e da grandeza dessa revelação”.
Em sintonia com a proposta kardeciana e buscando ampliá-la e consolidá-la, no cenário histórico das últimas décadas do Século XIX e primeiras do Século XX, Léon Denis publicou obras imortais como “O Problema do Ser do Destino e da Dor”, “Depois da Morte”, ”No Invisível”, “Cristianismo e Espiritismo”, “Socialismo e Espiritismo” e muitas outras. Participou de todos os grandes congressos espíritas e espiritualistas que, em sua época, se realizaram na Europa, sempre pugnando por uma interpretação kardeciana do espiritualismo então nascente.




O grande consolidador
Quem pesquisa a história dos grandes “congressos espíritas” celebrados na Europa, na transição dos séculos XIX e XX, há de se impressionar com a enorme afluência de participantes. Paris (1889 e 1900), Liège (1905), Bruxelas (1910), Paris, novamente (1925), sediaram congressos que reuniam milhares de pessoas. Havia, na Europa, inusitada efervescência de ideias em torno do chamado “moderno espiritualismo”. Buscava-se uma interpretação mais livre dos fenômenos psíquicos e espirituais e, a partir daí, emergiam novos conceitos que desestabilizavam os dogmas religiosos.
Longe, no entanto, de se parecerem com os congressos de hoje, onde debatemos e ampliamos ideias presentes em corpo doutrinário já bem sedimentado, aqueles eventos reuniam grupos muito heterogêneos. Ao lado de “kardecistas”, assentavam-se, ali, adeptos de Swedenborg, teosofistas, cabalistas, rosa-cruzes, e uma gama de experimentadores, pensadores, escritores e teóricos que tinham apenas em comum a ideia da sobrevivência do espírito e sua comunicabilidade.
De todos aqueles eventos participou Léon Denis. Respeitado por sua vasta obra, resultado de um autodidatismo que lhe impulsionava a alma desde a infância, Denis era, invariavelmente, convidado a presidir os congressos, dos quais se tornava, sempre, a grande estrela.
Naquela imensa nebulosa espiritualista, coube a Denis a difícil tarefa de consolidar o espiritismo, à luz do pensamento kardeciano, notadamente das ideias da reencarnação, do livre-arbítrio, e, de maneira muito especial, da valorização de seu conteúdo moral, por ele visto como a revivescência da original e genuína mensagem cristã.
O esforço em prol da plena vigência da proposta de Allan Kardec, ainda hoje o grande desafio dos espíritas da Europa e das Américas, foi a marca indelével desse gigante do pensamento, desencarnado há 90 anos: Léon Denis (A Redação).





Longa, mas não interminável
No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim. Fernando Sabino


Estamos atravessando, quiçá, a pior crise política da História do Brasil. No momento em que é escrito este editorial, um novo episódio se junta à sucessão de fatos políticos componentes dessa crise que parece não mais terminar: pela primeira vez, um Presidente da República é denunciado pelo Ministério Público, acusado de atos de corrupção durante seu mandato que mal completou um ano. Recorde-se que esse mesmo mandato nasceu da destituição de sua antecessora, derrubada por um “impeachment” no qual se lhe atribuíram ilícitos de responsabilidade fiscal.

A par disso, seguem em tramitação, dezenas ou, talvez, centenas de investigações policiais e processos judiciais, envolvendo políticos dos mais altos escalões parlamentares e dos mais diferentes partidos, assim como empresários de grande representatividade do setor econômico do país. Decisões condenatórias já foram proferidas e muitos desses agentes já cumprem suas penas.

Atordoados, os brasileiros se perguntam: quando terminará essa crise?
Talvez ainda demore. Vivemos um momento novo na História do Brasil. Não é justo dizer que a corrupção é um fenômeno exclusivo de nosso tempo. Ela acompanha nossa História desde que aqui aportaram os colonizadores portugueses. Mas foi o avanço institucional garantido pela ainda jovem democracia brasileira o fator a conferir meios de se investigar, processar e apenar pessoas e setores antes colocados acima da lei.

Não se atribua, por outro lado, à classe política a inteira responsabilidade pela corrupção. Nem é a política o campo exclusivo em que medram comportamentos antiéticos e lesivos à Nação. Eles grassam em todos os setores: nas relações privadas e nos meios empresariais, nas agremiações de trabalhadores e em corporações econômicas, em muitos núcleos familiares e em organizações religiosas ou aparentemente benemerentes que se travestem dessas condições formais para a obtenção benesses do governo e da sociedade.

Há, sim, um elemento que merece ser visto como verdadeiramente gerador da criminalidade em geral e da corrupção em particular: a ganância, o materialismo intrínseco de pessoas que elegem a riqueza material e a ostentação do dinheiro e do poder como objetivos centrais da existência, indiferentes aos sentimentos de solidariedade, amor e convívio fraterno, ditados pela natureza da alma humana. É a carência de humanismo, tido este como a compreensão da integralidade biofísica, psíquica e espiritual do ser humano, que produz em certos indivíduos o vazio existencial, a ausência de sentido para a vida. Não é simplesmente a falta de religião ou de crença. É questão de atitude perante a vida. Quando não se vislumbra sentido para a vida, não se confere valor à virtude e à ética. E onde não há ética, não há progresso, seja este social, econômico e apto a produzir felicidade.

            Momentos de crise profunda como o que vivemos conduzem à reflexão sobre valores éticos até aqui menosprezados. Todos podemos ver de sua indispensabilidade. Mudanças aí se fazem imprescindíveis.

A crise pode ser longa, mas não é interminável. Da reflexão à efetiva vivência individual e coletiva daqueles valores sempre decorre algum tempo. É o período da maturação das ideias. E o tempo é, justamente, o grande mestre de vida, no contínuo processo de aprimoramento a que está ela submetida.





A Terra que herdaremos
Sobre o editorial de CCEPA OPINIÃO Nº 252 (junho/2017), é, de fato, extremamente preocupante a atitude do presidente americano Donald Trump, retirando-se do acordo de Paris, pois os Estados Unidos estão entre os maiores poluidores do Planeta. Parabéns pela abordagem.
Cleide Peregrina – Florianópolis/SC.

ReferênciAas ao TELMA
Parabéns pela edição 252 de CCEPA OPINIÃO, que destacou a realização do VIII Fórum do Livre-Pensar Espírita, por nós sediado.
Agradecemos as boas referências a nossa casa e a nosso professor Carlos Bernardo Loureiro, fundador do TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado.
Lucas Sampaio – Teatro Espírita Leopoldo Machado, Salvador/BA.


 
   




Vacilão
Eu não conhecia esse termo: vacilão. Apareceu em notícia que ganhou as manchetes dos jornais e viralizou nas redes sociais, mês passado. Um adolescente teria tentado furtar a bicicleta de um trabalhador, em São Bernardo do Campo. Apanhado em flagrante, alguém tatuou-lhe na testa a frase: Sou ladrão e vacilão”. Vacilão é o cara que vacila. É o sacana, o otário, na gíria.
Como não poderia deixar de ser, a maioria das pessoas condenou o gesto do tatuador. Não é assim que se age, diante de uma injustiça sofrida. O estado democrático de direito, conquista da civilização moderna, tem mecanismos para se levar o autor de um ato infracional a responder por seu comportamento e, se for o caso, ressarcir o Estado ou o indivíduo, vítimas da infração.
Assim, o vacilão da história não foi o possível infrator, mas o autor da vingança privada, chamada no Direito Penal  de “exercício arbitrário das próprias razões”.

Retorno à barbárie
Mas, vivemos tempos muito estranhos no Brasil. Muitos daqueles que deveriam zelar pelo cumprimento das leis e que têm autoridade, outorgada pela lei e pelo povo, de gerir, com seriedade e honradez, a coisa pública têm sido os grandes infratores. Muitos deles não apenas vacilam, mas, deliberadamente, servem-se dos bens públicos, enriquecem a custa de seus cargos, corrompem-se despudoradamente, dilapidando o patrimônio público, em flagrante injustiça aos direitos da maioria espoliada.
Esse comportamento, quando atinge o grau de visibilidade alcançado no país, parece inspirar o descontrole que reconduz à barbárie. Por isso, atos como o do infeliz tatuador paulista ainda encontram defensores. As mesmas redes sociais, palco da indignação de quantos ainda acreditam nos valores civilizatórios da legalidade, da equidade e da justiça, também abrigaram manifestações no sentido de que é daquela forma que a vítima de um crime deve agir, promovendo, por conta própria, o julgamento e a punição do infrator.

A injustiça dói
Quando se é vítima de uma ação injusta, perde-se, automaticamente, a isenção e a sensatez para julgar aquele que nos ofende. Como se diz popularmente, a injustiça dói. Facilmente, ela descamba para o desejo de vingança. Daí a ética civilizatória ter entregue a terceiro, isento – o Estado -, a grave incumbência de apurar os fatos, naquilo que se chama de “devido processo legal” e julgar o infrator, apenando-o convenientemente, se for o caso.
Não há outra forma de fazer justiça. Mesmo em momentos em que somos capazes de identificar nos mecanismos estatais indícios de tendenciosidade e parcialidade. Subsiste aí a obrigação de a sociedade buscar formas de aprimoramento de suas instituições. Em qualquer circunstância, e mesmo com suas eventuais falhas, elas estarão eras à frente dos tempos de barbárie que autorizavam a justiça pelas próprias mãos.

“Não julgueis”
Longe de se entender o “não julgueis” como autorização à passividade e à resignação ante as injustiças ainda presentes nas relações humanas.  Seja a máxima vista, antes, como estímulo ao império de uma justiça que recomponha os direitos violados e extirpe da alma humana o insensato desejo da vindita.
Não nos permitamos, como indivíduos e sociedade, o vacilo da substituição da ordem e da justiça, que se fundam na razão, em comportamentos odiosos e virulentos, que se nutrem de grosseiros instintos ainda dormitando em escuros escaninhos de nossa alma primitiva.






O Projeto Kardequizar (II)

Na reunião do Conselho Deliberativo da  SELC-S.E. Luz e Caridade, de 05.04.1986, manifesta-se o espírito orientador da Casa, Joaquim Cacique de Barros, através de mensagem psicofônica, depois psicografada pela médium Elba Jones, da qual transcrevo o seguinte trecho:

“Todas estas mudanças que ora se verificam, não são frutos apressados, mas constituem-se no resultado de incessantes permutas elaboradas e desenvolvidas, nos dois planos da vida, entre aqueles que mais se preocupam e se dedicam à Casa. Estas modificações são, portanto, desejadas e surgem como produto de troca de nossas vibrações que se casam e que somente a afinidade de ideais pode explicar.

E para sermos mais entendidos, é nosso desejo criar aqui nesta Casa, que é nossa, uma mentalidade nova. Formar, senão muitos, mas um punhado de irmãos capazes de difundir uma doutrina restaurada às suas bases, mas também solidamente apoiada nos avanços que a ciência e a tecnologia vêm de nos oferecer; um espiritismo emancipado de místicos e milagreiros, ainda mercadores de indulgências, que elegeram um Jesus, quase sempre triste com os nossos pecados, passivo e estático, que eles adoram sem compreender a dinâmica do seu Evangelho libertador.”

O “Projeto Kardequizar” surgiu como um conjunto de medidas tendentes a frear o processo de sectarização instalado no movimento espírita a partir de uma visão distorcida da Codificação e do pensamento kardequiano, para o qual contribui a índole mística do nosso povo e o seu deficiente nível cultural. Dessa forma, as Casas Espíritas assumiram, ao longo do tempo, em sua esmagadora maioria, a feição de “casas de oração” e de “pronto socorro”, em detrimento de sua função maior de educadora de almas e libertadora de consciências, consoante os objetivos maiores do Espiritismo. Os frequentadores, embora o respeito e o atendimento que devam merecer para o alívio de suas dores, somente veem no Centro Espírita um posto de prestação de serviços, com o qual findam os contatos ao primeiro sinal de cura de suas mazelas, visto que nada mais lhes é oferecido senão passes, consultas aos espíritos, doutrinação e desenvolvimento mediúnico, sem apelos ao raciocínio e ao estudo sistemático do Espiritismo, caminho natural para as verdadeiras e profundas mudanças do indivíduo e da sociedade.

Com as alterações ocorridas, as atividades do Departamento de Assistência Espiritual ficam restritas à desobsessão, à fluidoterapia e às entrevistas, estas substituindo a Orientação Espiritual de caráter mediúnico. Reduz-se muito a frequência de público, inclusive com o afastamento, já esperado, de vários trabalhadores não concordantes com a nova orientação doutrinária.

Em meu relatório administrativo de 1989, afirmei: “A SELC atravessa, nos últimos anos, uma fase de depuração ideológica. Sociedade Espírita que é, vem procurando direcionar suas atividades e sua postura ao norte kardequiano, escoimando-as do ranço igrejeiro e sectário que impregna o espiritismo brasileiro. (...) A alimentação desse processo de kardequização implica em custos com os quais a SELC terá que arcar e que poderíamos resumir no seguinte: a) compreensível afastamento do público frequentador menos afeiçoado ao estudo metódico do Espiritismo e habituado a ver a casa espírita apenas como “pronto socorro espiritual”; b) a insatisfação de um segmento do seu quadro de trabalhadores que interpreta como “decadência” os baixos índices de frequência de público; c) as rotulações desabonadoras de companheiros mal informados ou mal intencionados que atribuem à ação das trevas nosso esforço de kardequização.”

Até hoje, o Projeto Kardequizar, sintetizado na Carta de Princípios do CCEPA, norteia as ações da instituição.





VIII Fórum repercute no CCEPA

No Encontro com os Grupos de Estudo do CCEPA, Medran fez uma exposição em que resumiu o tema da conferência por ele proferida na abertura do VIII FLPE. Clarimundo, que coordenou uma das atividades do evento da Bahia, fez um breve relato de sua participação e uma apreciação geral sobre o Fórum.
Na abertura da reunião, Benchaya traçou um rápido histórico do movimento espírita laico e livre-pensador e sobre o papel desempenhado pela CEPA, pela CEPABrasil e pelo CCEPA nesse movimento. No encerramento, o presidente do CCEPA convidou os integrantes da Casa a participarem do 15º Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita que o ICKS - Instituto Cultural Kardecista de Santos - promoverá em novembro próximo.
O áudio da palestra de Medran, versando sobre o livre-pensar no espiritismo, pode ser acessado através do link abaixo, não tendo sido gravados os dois primeiros minutos de exposição:

XV Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita
Para o editor do jornal Abertura, Alexandre Cardia Machado, do Instituto Cultural Kardecista de Santos – ICKS, é possível que, em 1989, quando Jaci Regis promoveu a 1ª edição do Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, não imaginasse que, no então distante ano de 2017, “estaríamos preparando a realização do 15º Simpósio, o quarto a realizar-se após a desencarnação de Jaci”.

Entusiasmados com a longevidade da iniciativa, os dirigentes do ICKS estão convidando interessados de todo o Brasil para esse evento que acontece de 2 a 4 de novembro próximo, em Santos, tendo por sede o Colégio Angelus Domus, antiga sede do ICKS.
Os organizadores lembram que as inscrições prévias podem ser feitas pelo e-mail ickardecista1@terra.com.br ou pelo telefone (13) 3324-7321. Até o dia 31 deste mês de julho, o valor da inscrição é de R$ 100,00. A partir de agosto passa para R$ 120,00.

Lembrando que, na época do lançamento pioneiro de um evento dessa natureza, os espíritas livres-pensadores “tinham pouco espaço para divulgar suas ideias nos encontros realizados por espíritas religiosos”, Alexandre diz que Jaci deve estar feliz em ver que sua iniciativa, já com 28 anos de sucessivas realizações, continua sendo um importante espaço para o segmento progressista do movimento espírita.


Em Curitiba: “Perspectivas Contemporâneas
da Reencarnação”

Em 1º de julho, Ademar Arthur Chioro dos Reis, médico e escritor da cidade de Santos/SP, fez conferência no Centro Espírita Luz Eterna, de Curitiba, capital paranaense, tendo como tema o livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação”.
Após a conferência, Ademar, que foi o organizador do livro, juntamente com Ricardo de Moraes Nunes, participou de movimentada sessão de autógrafos. (foto com Neuton Albach)

A obra reúne trabalhos apresentados por pensadores espíritas de diferentes países, por ocasião do XXI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado pela CEPA, em Santos, no ano de 2012. São abordagens do fenômeno da reencarnação envolvendo aspectos históricos, filosóficos, científicos e religiosos, na cultura de vários povos, vistos e expostos sob uma visão contemporânea e livre-pensadora.

O livro “Perspectivas Contemporâneas da Reencarnação” está a disposição dos interessados no Centro Cultural Espírita de Porto Alegre e em todas as instituições ligadas à  CEPA.
           

O fim do “SEI”
Uma das mais tradicionais publicações espíritas brasileiras chega ao seu fim: O boletim “Serviço Espírita de Informações” (SEI), que as instituições espíritas se acostumaram, por muitos anos, a receber semanalmente, nas mais diversas partes do mundo.

O “SEI” começou a circular em 1965, editado pelo Lar Fabiano de Cristo, do Rio de Janeiro, tendo sido seu primeiro diretor o escritor Carlos Torres Pastorino. Houve época em que era também publicado em esperanto e espanhol, e, assim, distribuído para o mundo inteiro. Chegou a ter mais de 18.000 destinatários, só no Brasil, e milhares de outros em diferentes países. Era, então, mantido pela CAPEMI, entidade de previdência privada dirigida por militares espíritas.

No ano de 2009, o boletim passou a ser editado pelo Conselho Espírita Internacional (CEI) e deixou de ser semanal para tornar-se quinzenal. Em 2011 encerrou sua fase impressa, passando a ser editado apenas eletronicamente e distribuído pela Internet. Em 2014, sua edição foi assumida pela Federação Espírita Brasileira.

No último dia 6 de junho, foi distribuído, via Internet, um comunicado assinado pelos “amigos do SEI”, comunicando o encerramento de suas edições “por circunstâncias diversas”. O comunicado salienta que “felizmente, a divulgação do Espiritismo está hoje mais ao alcance de todos, seja por meio de livros, do crescente número de Casas Espíritas, no cinema, na TV, no teatro, na internet, nas redes sociais...”.

Aizpúrua lamenta o fim do “SEI”
A notícia do fim de circulação do “SEI”, depois de mais de 50 anos desde que iniciada, repercutiu amplamente na lista de discussão mantida entre os delegados da CEPA. Tão logo divulgada a comunicação, o ex-presidente da CEPA, escritor venezuelano Jon Aizpúrua, pronunciou-se lembrando que “apesar de sua linha editorial ter guardado concepção espírita identificada plenamente com o espiritismo cristão, seus editores, por muitos anos, “respeitaram alguma pluralidade de opinião, particularmente no que se refere a notícias do âmbito espírita pan-americano”, pois, em numerosas ocasiões deram cobertura a Congressos e Conferências Regionais da CEPA. Pessoalmente, mostrou-se agradecido pelo fato de o “SEI”, em várias oportunidades, ter resenhado conferências públicas por ele pronunciadas em países da América e Europa.

Jon lamentou que “essa postura plural mudou quando as relações entre a CEPA e a FEB, ou, dito de outra maneira, entre espíritas laicos e os religiosos, se azedaram, se deterioram e, finalmente, deixaram de existir”. Mas, registrou que, “em fase anterior, o boletim “SEI” cumpriu um trabalho significativamente valioso, mantendo seus leitores informados do que acontecia no movimento espírita brasileiro e internacional”. Por isso, lamentava seu desaparecimento, complementando: “Para todos os que amamos a cultura espírita, e dentro desta o jornalismo espírita, é inevitável que nos invada a nostalgia cada vez que um órgão da imprensa deixa de publicar com independência sua visão e sua orientação”.

Ao ser produzida a presente notícia, ainda se mantinha disponível na Internet blog contendo um grande acervo de publicações do boletim. Para acessá-lo, clicar em: http://www.boletimsei.org.br/






Aeroporto de Congonhas agora é Freitas Nobre

A edição de 19 de junho último da Folha de São Paulo, da mesma forma que os principais veículos de comunicação paulistas, deu destaque a esta notícia: o Aeroporto de Congonhas passou a se chamar “Aeroporto Freitas Nobre”, em homenagem ao ex-deputado José de Freitas Nobre nascido em Fortaleza/CE, em 1920, tendo vivido em São Paulo, onde foi jornalista, advogado, escritor e político, com vasta atuação.

A reportagem destaca acerca de Freitas Nobre: “Ficou notoriamente conhecido por sua luta pela redemocratização do país. Foi vice-prefeito de São Paulo e, vítima de perseguição política no período pós-1964, exilou-se na França. Retornou ao Brasil em 1967, voltou à vida pública, onde conquistou seis mandatos consecutivos de deputado federal. Sua atuação política foi dedicada, em especial, à luta pela anistia e pelo movimento ‘Diretas Já’. Freitas Nobre faleceu em São Paulo em 1990”.

A nova denominação do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, decorre da promulgação da Lei 13.450/2017, sancionada pelo presidente Michel Temer e publicada no Diário Oficial da União, em 19 de junho último. A iniciativa do Projeto de Lei, na Câmara Federal, foi do ex-deputado João Bittar.

Freitas Nobre, espírita
Espírita com grande atuação no movimento de São Paulo, Freitas Nobre foi fundador e, durante 16 anos, editou a Folha Espírita, o primeiro jornal doutrinário a ganhar as bancas de jornais do país, conquistando um novo universo de leitores interessados na imprensa espírita.

Escritor, teve vários livros de História e de Direito publicados no meio acadêmico.
Na literatura espírita, também deixou importantes contribuições. É autor dos livros “O Transplante de órgãos à Luz do Espiritismo”, “A Perseguição policial contra Eurípedes Barsanulfo, “O Crime, a psicografia e os transplantes”. Também escreveu o prefácio da edição brasileira de “Cristianismo e Espiritismo”, de Léon Denis. Organizou a “Coleção Bezerra de Menezes”, publicada pela Editora Edicel.

Foi casado com a também escritora espírita e médica Marlene Severino Rossi Nobre que presidiu a Associação Médico Espírita do Brasil, por longos anos, tendo desencarnado em 2015.
           
A homenagem do CCEPA aos 90 anos
da S.E. Estudo e Caridade

Como ato comemorativo do 90º aniversário da Sociedade Espírita Estudo e Caridade – Lar de Joaquina -, da cidade gaúcha de Santa Maria/RS, o diretor de comunicação social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, Milton Rubens Medran Moreira, proferiu conferência pública naquela instituição, na tarde de 17 de junho último.
O tema da palestra foi “Moral e Ética – Uma abordagem espírita”.

Na oportunidade, Medran, falando em nome do CCEPA, transmitiu à instituição aniversariante os votos de felicitações, pela trajetória desenvolvida, tanto no campo da ação social e da educação, quanto no doutrinário.
Como entidade educativa e benemerente, graças ao trabalho que realiza com crianças e jovens, o Lar de Joaquina, granjeou o respeito e a admiração da população santa-mariense.

Já no que se refere à postura doutrinária da Sociedade Espírita Estudo e Caridade, conforme reconheceu e expressou Medran, na abertura de sua conferência, sempre se pautou ela pelos melhores ditames inspirados em Allan Kardec. Daí, segundo o orador, uma histórica identidade entre ela e o grupo de pensadores espíritas vinculados ao Centro Cultural Espírita de Porto Alegre - CCEPA.

Medran evocou a atuação decisiva e independente de históricos dirigentes da SEEC, como Hélio Ribas, Eunice Leite e Silva e José Setembrino Dorneles Budó, em apoio a avanços doutrinários e conceituais, a partir da elaboração e implementação do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, nas décadas de 70/80, na Federação Espírita do Rio Grande do Sul. O apoio da “Estudo e Caridade” e de seus dirigentes da época foi, igualmente, decisivo, nos períodos que se seguiram, quando a FERGS, então sob as presidências de Maurice Herbert Jones e Salomão Jacob Benchaya, membros do CCEPA, criou condições para significativos avanços do pensamento progressista e livre-pensador do meio espírita.

Como ex-presidente da Confederação Espírita Pan-Americana, hoje CEPA-Associação Espírita Internacional, Milton Medran, registrou também o acolhimento sempre fraterno, dado, em diversas oportunidades, pela instituição aniversariante, tanto a ele como a seu antecessor na presidência da CEPA, Jon Aizpúrua, em eventos doutrinários sediados pela SEEC.

A foto, tomada por ocasião da conferência, mostra, a partir da esquerda: Luiz Gustavo Rodrigues, presidente da SEEC; Margareth Gamarra, 2ª vice-presidente; Milton Medran, conferencista convidado; José Dorneles Budó, 1º vice-presidente; e Flávia Prado, vice-coordenadora de reuniões públicas.





De Kardec e Descartes:
duas reflexões sobre
a liberdade e o ser

Uma filosofia libertadora

Jerri Almeida, professor de História, escritor – Osório/RS

A cultura do apego reforça no sujeito seu instinto individualista, com forte impacto no seu cotidiano. O apego, em conjunto com o pessimismo existencial, determina um olhar pequeno sobre a vida, tornando o sujeito escravo de determinados sentimentos e de hábitos que o embrutecem e o infelicitam.

Vivendo no limite de suas sensações, obcecado pelos desejos mas, por vezes, vazio na alma, o sujeito de nossos dias perambula pela vida em busca – no seu íntimo – de algo mais. Seus temores cotidianos alimentados pelo fantasma da perda geram pânico e melancolia. Mesmo muitos que se dizem “religiosos” não subtraem tal comportamento, apegados obsessivamente aos elementos transitórios do dia a dia.

Vínculos afetivos tornam-se, demasiadamente, motivos de apego. Grande parte da humanidade, ao que parece, vive na Terra com um sentimento de infinitude biológica, nem sequer admitindo a possibilidade de pensar que, num dado momento, algo poderá mudar. Esse aprisionamento à existência gera angústia e sofrimento. O que não significa, todavia, que se deva viver uma existência fria, sem vínculos, sem desejos, no cinismo filosófico de Diógenes, que na Grécia antiga, propunha uma vida “sem nada”.

A filosofia espírita, por sua natureza progressista e dinâmica, propõe um olhar mais profundo sobre o “estar no mundo”. A compreensão racional da perspectiva do ser imortal que somos e das necessidades evolutivas que temos de aprendizagem e educação, denota um conjunto de ideias que oferecem compreensão, perseverança e serenidade.

Allan Kardec, ao sistematizar e organizar os ensinos dos espíritos apresentou ao mundo uma doutrina filosófica de consequências morais, cujo propósito era gerar um movimento de ideias que, ao longo do tempo, produzisse impacto na cultura e, portanto, no modo de vida das pessoas.

Não cabe ao espiritismo ou aos espíritas, criar novos elementos de dependência e apego. Por isso, é preciso alertar que muitos frequentadores de Centros espíritas, tornaram-se “dependentes” do passe, das preces e irradiações, das desobsessões e aconselhamentos semanais. Entretanto, tais dependências colidem com a proposta e a natureza da filosofia espírita.

É tempo renovarmos nossa meta no trabalho de difusão dessa filosofia libertadora, empreendendo esforços nessa diretriz. Para isso, o que estamos propondo é um voltar para as entranhas da obra e do próprio pensamento de Kardec. Revisitar a fonte primária, buscando absorver dela, em primeiro plano, o que é realmente o espiritismo. Essa preocupação não é nova, pois encontramo-la capilarizada na vasta obra de Herculano Pires, em especial, em Curso Dinâmico de Espiritismo: O Grande Desconhecido.
Estamos convictos de que assim poderemos nos abastecer dessas ideias que, em síntese, traduzem uma filosofia libertadora que nos convida, sem a violência das imposições religiosas, ao livre-pensar, que liberta dos atavismos e das dependências que escravizam, de múltiplas formas, o ser humano.



Ser e existir
Amely B. Martins, bióloga, educadora espírita, membro da ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa.

Através do pensamento, agente indissolúvel da vontade, é que cada ser constrói, ou antes, manifesta aquilo o que realmente é em essência. E nesta reflexão existencial humana, baseada em pensamento e vontade, podemos construir as manifestações externas de nosso pensar, de nosso ser, através de palavras, gestos, ações e opiniões. Estes artifícios podem refletir o que realmente somos, como um espelho límpido da alma, ou podem ainda servir de escudo, de barreira para o que muitas vezes não queremos que seja percebido por ninguém, nem por nós mesmos.

O “Penso, logo existo” de René Descartes, apesar de imerso no período de consolidação do racionalismo, trata-se de um fundamento de grande importância quando se tenta definir a existência humana, ou o ser humano.

É importante que cada ser procure conhecer-se a si mesmo, sabendo identificar as origens, os “porquês” de todos os seus atos, na essência que origina primeiramente seu pensar e sua vontade, no que define o seu “ser”, a sua existência.

É importante que sejamos sinceros com o que verdadeiramente somos e pensamos.
E neste contexto, nos esbarramos muitas vezes em uma firmeza excessiva na busca da imposição, ou aceitação de nossos pensamentos e ideologias. Mas é preciso lembrar sempre que é possível ser firme, porém sem perder a afabilidade, é possível conviver harmonicamente com o diferente, com o contrário, sem para isto perder sua própria identidade.

É importante ainda, ter a consciência de que devemos ter uma postura progressista com os nossos próprios paradigmas, que são fruto de nossas opiniões e convicções, mesmo porque normalmente exigimos esta postura de nossos semelhantes. Entendendo também que esta postura progressista não significa perda de identidade, mas sim um constante reflexo da autoanálise e do autoesforço por autoevolução e auto-melhoramento.

A humanidade só cresce desta forma, com a contribuição de cada um, e o movimento espírita só irá se configurar como realmente progressista, quando cada um fizer também a sua parte.


Entendo, portanto que: Penso, logo sou capaz de refletir sobre o que realmente sou e sobre como posso ser ainda melhor a cada dia!